Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Recordações do Quitexe 61/63 por Arlindo de Sousa - Parte I

 

 Estas notas, escritas de memória, são de um momento da minha vida no Quitexe (cerca de dois anos) muito marcante. Suscitadas pelas imagens e textos do blogue. Estive lá entre os 18 anos e os 21 anos. Uma fase fantástica da vida. Como tenho saudades daquele tempo!  Fui funcionário administrativo (inicialmente, Aspirante e depois escriturário) da Administração do Concelho do Dange, no Quitexe, de 1961 a 1963.  Altura em que, de acordo com as leis do recenseamento, fui cumprir o Serviço Militar no CICA – Grupo de Artilharia de Luanda.


 
Depois do Serviço militar de quarenta e dois meses (quase quatro anos), ainda voltei para o quadro administrativo. Mas só lá estive um mês. Eu já não era o mesmo. O Exército mudou-me radicalmente. Já não aceitava aquela pequenez de espírito e a injustiça que caracterizavam a maior parte do dia-a-dia do Quadro Administrativo. Nem aquela subordinação quase feudal aos chamados superiores.
 
Pedi a exoneração. Como não ma queriam dar, abandonei pura e simplesmente os Serviços.
Depois de um primeiro requerimento, perante a iminência de ser de novo enviado para o mato, como era costume designar-se o interior de Angola, e pelas razões acima apontadas, fiz um novo requerimento e pedi a exoneração a partir de um dia por mim próprio estipulado. Na ausência de qualquer deferimento, abandonei o lugar.
 
 
Mais tarde, já eu estava numa firma em Luanda (Armazéns Martero, Lda., na rua Pereira Forjaz, mesmo em frente à firma Mota & Cª.) a trabalhar e a ganhar o triplo do que ganhava no Quadro Administrativo, recebi então uma carta para ir À Direcção Provincial dos Serviços de Administração Civil fazer a rescisão amigável. Fui lá, assinei, eles assinaram e ficou o problema legalmente resolvido.
Ainda bem que tomei aquela resolução. Em 1969, vim a Portugal, que já não via há 13 anos, com a intenção de retornar. Fiquei aqui, empreguei-me, voltei aos estudos, tirei um curso universitário e fiz o percurso como professor. É a vida, cujos imprevistos acabam também muitas vezes por nos premiar.
 
 
Mas voltemos ao Quitexe:
 
Não cheguei a conhecer nem a trabalhar com o Administrador Matos. Apenas trabalhei primeiramente com o Administrador Rodrigo José Baião e depois com o Administrador Meneses e Pereira. Meneses e Pereira veio de Moçamedes – cidade onde se dizia existirem as moças mais lindas de Angola. De facto, as três filhas que ele tinha (também tinha um filho), salvo erro nascidas em Moçamedes, eram muito lindas.
 
O Administrador Rodrigo José Baião, antes de 15 de Março de 1961, era Chefe de Posto na localidade de "31 de Janeiro". Com o desfecho dos trágicos acontecimentos de 15 de Março, parece ter-se distinguido na defesa da área da sua jurisdição.
Vista aérea do Quitexe no dia 16 de Março de 1961
 
Rodrigo José Baião foi por isso louvado e promovido a Administrador da Administração do Concelho do Dange no Quitexe, entretanto criada e que abrangia: o Quitexe, o posto de Cambamba e os postos administrativos de Aldeia Viçosa e Vista Alegre, entretanto criados. Antes de 15 de Março de 1961, Aldeia Viçosa e Vista Alegre eram meras povoações comerciais.
 Timbre do Concelho do Dange ainda integrado no Distrito do Cuanza Norte
 
 
Cambamba, antes de 15 de Março de 1961, se me não engano, já era posto administrativo. Então chefiado pelo Chefe de Posto Arrobas Ferro, que, tendo-se, também, distinguido, foi promovido a Chefe da Repartição Distrital de Administração Civil do Quanza-Norte, Salazar (actual, Ndalatando).
Penso que Arrobas Ferro, quando Chefe de Posto de Cambamba, em 15 de Março de 1961 safou-se devido à fidelidade e coragem do cipaio Paulino, que, por isso, foi promovido a Cabo de Cipaios pelo, na altura, Governador Civil do Quanza Norte, Major Silva Sebastião. Hei-de voltar a falar do Paulino. Onde estará ele hoje?
 
O Posto Administrativo de Cambamba teve como primeiro Chefe de Posto, após 15 de Março de 1961, Largo Antunes, um Chefe de Posto, vindo do Sul de Angola. Salvo erro, Quibala.
 
O Posto Administrativo da Vista Alegre teve como primeiro Chefe de Posto Guedes Vaz.
 
E o Posto Administrativo de Aldeia Viçosa teve como primeiros funcionários, eu próprio (durante uns cinco ou seis meses), então Aspirante Interino do Quadro Administrativo, com 18 anos de idade, e o Chefe de Posto António Augusto Ribeiro França. Onde estará hoje o António Augusto Ribeiro França?
 
  Aldeia Viçosa - 1967
 
Na próxima mensagem explicarei como é que eu estive cinco ou seis meses em Aldeia Viçosa. Entre Setembro de 1961 e talvez Fevereiro de 1962.
 
Arlindo de Sousa
publicado por Quimbanze às 10:37

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