Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Recordações do Quitexe 61/63 por Arlindo de Sousa - Parte II

 
Continuando a falar de Aldeia Viçosa, disse na minha última mensagem que o Posto Administrativo daquela área administrativa teve como primeiros funcionários, eu próprio (durante uns cinco ou seis meses), então Aspirante Interino do Quadro Administrativo com 18 anos de idade, o Chefe de Posto António Augusto Ribeiro França e o cipaio 1.º Cabo Paulino.
 
O Chefe de Posto António Augusto Ribeiro França era um ex-seminarista, que, depois de ter servido como sargento do exército em Macau, entrou no quadro Administrativo de Angola. Escrevia muito bem. Fazia relatórios notáveis. E mais notáveis ainda quando já estava com uns uísques a mais.
 
Logo a seguir a 15 de Março de 1961, o Chefe de Posto França acompanhou a coluna militar que participou na chamada arrancada do Terreiro. Três dias e três noites sem dormir. Houve vários militares mortos. Eram árvores a ser derrubadas à frente e árvores a ser derrubadas atrás para encurralar a coluna. O cansaço era de tal ordem que, quando havia um ataque nocturno, os graduados tinha de andar a acordar os soldados que ficavam no meio do capim a dormir. Completamente esgotados.
 
O Paulino acompanhou sempre o Chefe França. Apesar de armado com uma velha Enfield 7.7 mm já sem estrias, o Paulino metia uma bala onde queria. Razão porque nunca tínhamos falta de carne de caça no posto. Era um belíssimo companheiro. Também andou muito comigo. Sobretudo quando íamos de Aldeia Viçosa à Pumbassai (via Entre Rios) buscar víveres. Recentemente, ouvi dizer que o Paulino posteriormente aderiu ao MPLA.
 
Eu conheci o Cabo Paulino e o Chefe António Augusto Ribeiro França em Salazar (actual Ndalatando). Em Setembro de 1961, tomei posse como Aspirante Interino do Quadro Administrativo na capital do Quanza Norte. O chefe França e o Paulino apareceram lá para receberem instruções do governador do distrito, Major Silva Sebastião, com vista à instalação do Posto Administrativo de Aldeia Viçosa.
 
Durante os dias que ali tivemos de convívio, talvez porque eu também era (e sou) um antigo seminarista estabeleceu-se uma certa empatia entre nós. De tal modo que, apesar de eu estar formalmente colocado na Administração do Concelho do Dange, no Quitexe, o Chefe França pediu ao Governador para me deixar ir com ele para Aldeia Viçosa. O governador autorizou e passados dois ou três dias fomos os três para Aldeia Viçosa. A protecção militar era, na altura, garantida por um pelotão (em regime de rotação) da Companhia de Caçadores 89, comandada pelo capitão Sampaio Nunes e sediada no Quitexe.
 
Arlindo de Sousa
publicado por Quimbanze às 10:35

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