Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Recordações do Quitexe 61/63 por Arlindo de Sousa - Parte IV - O Sr Guedes

 

Quando cheguei ao Quitexe (fins de 1961 início de 1962), conheci o Sr. Guedes (para os amigos simplesmente Guedes). O Guedes, na altura dos trágicos acontecimentos de 15 de Março de 1961, parece que se viu apertado. De tal maneira que fez uma promessa (já não sei a que santo) de andar um ano inteiro sem fazer a barba.
Com as enormes barbas, entretanto crescidas, o Guedes parecia um patriarca bíblico. Só as viria a cotar no dia 15 de Março de 1962. Quando as cortou, todos estranhámos o seu aspecto. Não parecia o mesmo. Afinal não é impunemente que se cortam umas barbas de respeito. Como eram as do Guedes.
O Guedes sabia trabalhar muito bem a madeira. Por isso, consciente da sua mestria, não gostava que lhe chamassem carpinteiro. Apenas marceneiro.
 
Como marceneiro, o Guedes trabalhou na oficina da Administração, pago com verbas do orçamento da Comissão Municipal do Quitexe. Como era um belíssimo conversador, a carpintaria, que funcionava num barracão junto ao edifício da Administração, era muito frequentada sobretudo pelos funcionários de que eu também fazia parte. Organizavam-se ali verdadeiras tertúlias que, na altura e face à situação do Quitexe, muito contribuíam para nos manter moralizados.
Recordo-me de uma obra-prima do Guedes. Fez uma verdadeira obra de arte em madeira embutida que representava as armas do batalhão que na altura ali se encontrava. Salvo erro era o Batalhão 317 (não sei se a identificação está cem por cento correcta).
 
Acontece que o Batalhão referido ia ser rendido e a peça artística era para, na hora da despedida, ser oferecida ao Comandante Militar pelo Administrador (já não sei exactamente qual). Cheguei a ver a obra-prima pronta. Hoje deve estar algures em Portugal a enfeitar uma prateleira de algum dos descendentes do então Comandante Militar do Quitexe.
 
 
 
Casa do Sr. Guedes - 2008
 
E o Guedes, onde estará hoje o amigo Guedes?
 
Arlindo de Sousa
 
publicado por Quimbanze às 10:13

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1 comentário:
De Anónimo a 13 de Setembro de 2017 às 23:50
Meu caro Arlindo de Sousa, a força militar a que faz referência era efectivamente o Bat.Caç.317, a que eu com muito orgulho e prazer pertenci. Fazia parte do pelotão de transmissões, do referido Bat., e estávamos alojados na casa de cantoneiros, que estava à entrada da vila do Quitexe, em frente à padaria do Tibúrcio, perdoem-me se estou enganado. O digníssimo Comandante do Bat., infelizmente já não faz parte do rol dos vivos. Era, para além de um excelente militar, uma pessoa repleta de humanidade, tratava cada subordinado, como que de um filho se tratasse. O único contacto que tenho de momento de civis do Quitexe, é do Sr. Sá, funcionário da administração.
Há coisas na vida que nunca se esquecem, e, a passagem pela mártir vila do Quitexe, é uma delas.
O meu obrigado a todos quantos postaram neste blog, relembrando as histórias e nomes de fazendas e pessoas.

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